quinta-feira, 12 de agosto de 2010

VOCÊS QUEREM LÁ VER QUE EU VOU ESCREVER UM POST SOBRE O 'SEXO E A CIDADE'? EU ESTOU MESMO EM SILLY SEASON...*

Há uma coisa que eu não entendo: Porque raio toda a mulher gostaria de ser a Carrie Bradshaw?

Ok… Tem um guarda-roupa de sonho, vive em Nova York e é boémia. Yeah… E? Também a Samantha com a vantagem que essa tem um gaijo giro por episódio e o que se manteve mais tempo era uma bênção para as retinas.

Então o que faz com que ser a Carrie faça parte do imaginário de um maior número de mulheres do que ser a Samantha?

A única explicação que encontro chama-se Mr. Big. Não o homem (que em abono da verdade era coisinha para me tirar o sono numa noite de segunda para domingo), mas a ideia a ele aliada da impossibilidade. Ninguém me convence que o facto de só no final sabermos o nome de baptismo da personagem faz parte dessa grande aura de mistério que se pretende que o homem tenha: bonito, desejável, rico, com sentimentos tortuosos, calado e inatingível. Todas nós (é que nem vale a pena tentarem desmentir) somos suckers for love stories e toda a gente sabe que as melhores histórias de amor são aquelas que tratam amores impossíveis. Temos, até hoje, remakes do Romeu e Julieta para prová-lo, meus amores. A história convencional de um amor é bom mas não é tão bom. Todas gostamos do boy meets girl, boy likes girl, girl likes boy, fall in love, live together forever in a house with a mortgage. Gostamos, sim. Mas gostamos mais do boy meets girl, boy likes girl, girl likes boy, boy falls off a horse after girl’s ex-boyfriend sabotaged the saddle, boy ends up in a coma for 10 years, girl despairs, girl marries boy’s best friend, boy wakes up,… E o resto é preencher a gosto que eu poderia escrever 100 páginas só com a variantes possíveis. Mas é disto que gostamos. Foi para isto que fomos programadas. Desde a Candy Candy (onde o príncipe morre no fim), às leituras obrigatórias do secundário (Maias, Amor de Perdição, etc), o nosso cérebro foi condicionado para nos ‘prendermos’ a este género; a fascinarmo-nos com a impossibilidade. Até porque todos nós sabemos que é muito mais cool sofrer como um condenado porque se padece de amor do que engordar enquanto se cozinha para o amor todos os dias. Porque é que acham que o segundo filme foi um fiasco? Quem é que quer ver o príncipe da Cinderela esparramado no sofá de peúgos e óculos? Isso não faz parte do programa “alto, moreno, fantástico, inatingível”; isso faz parte do dia-a-dia lá de casa!

Pois, a mim se me dessem a escolher, optava pela profissão da Carrie, a vida amorosa da Samantha, o guarda-roupa da Charlotte (ninguém acredita nesta parte… Além de eu gostar muito mais do género da Charlotte, eu sou morena! Aquela roupinha ia assentar-me muito melhor que a da Carrie!) e da sempiterna sisuda advogada manteria aquilo que já temos em comum que é um mini-super-herói de trazer por casa.

E agora está o mulherio todo a pensar: “Tretas! Se lhe aparecesse o Big ela rastejaria como a Carrie em qualquer dia da semana!” Talvez. Não digo que não o fizesse mas não é isso que eu gostaria para mim. Cansada de príncipes angustiados ando eu.

Além de que à medida que o tempo avança e passa por mim, começo a ter muito mais queda para o Nyotaimori** do que para angústias de amores não/mal correspondidos.

*Mas tenho desculpa e álibi e tudo e tudo

**Body Sushi

7 comentários:

Capitão Microondas disse...

Belo post, já escrevi uma vez sobre isto é é interessante ver uma mulher escrever sobre o tema de forma clarividente.

Os príncipes não existem. O que não quer dizer que cada uma de vocês não tenha tido, não tenha ou venha a ter o Big da sua vida (referindo-me a como o descrevi no meu tasco há meses, um pouco diferente do boneco da série). O homem que dá luta. Que não se acomoda. Que é um desafio. Que tem sentimentos. Que tem fraquezas e forças. Que é complexo por oposição á simplicidade dos paus mandados, acomodados ou simplesmente imbecis que vos surgem na vida. Um Homem. Não perfeito, isso não existe. Mas um Homem com H. Esses podem existir. São vocês que os encontrem e que lhes dão existência pelo papel que lhe atribuem quando passam pela vossa vida. Mesmo que não fiquem para o resto da dita. Não deixam, normalmente, de manter a sua importância para sempre.

Mente Quase Perigosa disse...

Capitão, esses são os homens que nos marcam para o bem e para o mal. Como diz, e bem, todas tivemos, temos ou teremos um Big na nossa vida. Esse não é o problema.

O drama só existe se nós não quisermos algo que não seja o Big. Se não tivermos a capacidade de perceber que podemos ser felizes com homens em vez de esperarmos pelos principes.

E um Homem não precisa de ser rico, misterioso e dificel; não precisa ser o strong, quiet type para nos fazer parar a respiração; às vezes, basta fazer-nos sorrir.

Por outro lado, um homem que seja um desafio é mesmo a desgraça de qualquer mulher que faça honra ao género. Pelo menos foram sempre esses que me fizeram crash and burn!

Fusão do Atomo disse...

"Que é complexo por oposição á simplicidade dos paus mandados, acomodados ou simplesmente imbecis que vos surgem na vida."

Retirando esta frase do comentário do Capitão,ponho-me a pensar alto:
_ Então um gaijo simples, sem problemas existenciais, sem complexidades psiquicas, sem ser truculento e que normalmente é uma dor de cabeça para quem vive com ele, é um pau mandado? Um imbecil?

Se é desses que elas gostam, por mim ok? Para mim, aquilo que me atrái mais no ser humano, é a inteligência, o sentido de humor, o caracter. O que mais detesto é a subserviência, a mesquinhez....mas há uma coisa que em tira o sono, são aquelas pessoas que pensam que o Sol gira á sua volta e que sem eles/as o dito seria uma escuridão total.

Mae Frenética disse...

Oh mulher, o BIG? Esse paozinho sem sal, cheio de tiques a falar? Oh q desconsolo...
Ja o Aidan... :))

(eu ficava com o guarda roupa da Miranda, em abono da verdade)

Capitão Microondas disse...

@ Fusão

Eu não descrevi o "big" (do meu texto) como um maluco. Falei de personalidade. São coisas diferentes. O texto é bastante claro na definição do que é um capacho e do que é um homem com personalidade. E do impacto de tal diferença na felicidade de uma mulher (que até pode ser proporcionada por qualquer um deles, é uma questão de expectativas e do que se quer da vida).

Mente Quase Perigosa disse...

Fusão, mas detestas a subserviência, certo? É caracteristica comum a ambos os sexos...

Quanto ao umbiguismo... Hoje em dia há taaaaaaaaaanto... E lá está, mais uma vez em ambos os géneros.

Mente Quase Perigosa disse...

Fren, o que eu não percebo é porque é que eu não posso ter os dois!

Eu juro que até fazia um horário bem catita e punha no frigorifico para não me esquecer de quem era aquela dia...