quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A MINHA ESTIMA PELO ZÉZÉ CAMARINHA ESTÁ LÁ NOS PÍNCAROS

Ora andava eu aí pelos lugares da moda quando me alembro (do verbo recordar com muita força) que aquilo, nesta altura do ano, é só mesmo estrangeirada. Eu sou uma moça sossegada. Eu não me meto com ninguém. Eu nem se sequer me mexo. Só os olhitos e as mãozitas (a direita para elevar o copo, a esquerda para fumar um cigarrito de quando em vez). Mas toda a gente sabe que se algo inusitado está para acontecer, deve olhar na minha direcção que a acção é mesmo lá!

Ora, estava eu uma noite destas sossegadita na minha vida a ouvir uma triste, muito triste, tão triste, imitação do ‘I want to break free’ quando vejo um ‘istrangeiro’ a preparar o ataque, qual leão na savana africana. Vi-o tentar equilibrar-se no chinelito de dedo (já vos tinha dito que eram aí umas 2 da manhã?), agarrar no copo, ensaiar um andar que, tenho a certeza que na cabeça dele seria semelhante ao do Gerard Butler no Lara Croft, mas que a mim apenas me parecia o Joker no Batman Forever. Estava eu nessas cogitações quando me apercebo que o alvo sou mesmo eu. E confesso que, nessas alturas, vem ao de cima o Comandante Sullenberger que há em mim e apetece-me gritar: “ Brace for impact!!!!!!”

Chegado aí a uns 2 metros da minha pessoa, grita-me o ‘istrangeiro’: “English?” Eu respondi, prontamente, que eu sou moça educada: “No!” O raisparta do camóne etilizado vira costas e desabelha!

Ora porra, eu sou gaija! Eu não o queria para nada. Aliás, eu até teria agradecido o facto de ele não me ter gritado que eu detesto que me gritem. Mas sou gaija. E gaija que é gaija fica ofendida quando é rejeitada! Masquestamerda??? Só porque não sou english nem tenho direito à conversa de engate foleira que se adivinhava? Afinal, os gaijos vêm para o nosso país e além de continuarem só a comer batatas fritas também só engatam da sua própria nacionalidade? Onde está a Carta dos Direitos Humanos agora? Cadê a lei contra a discriminação? Esta cena também é apartheid!!! Anda os coitados dos jogadores de futebol lá na Africa do Sul a começar os jogos do mundial com apelos contra o racismo e eu sou discriminada no Bar do João por causa do meu país? Acreditem que eu espingardei muito mais do que isto naquela noite. Eu fiz uma conferência digna da Amnistia Internacional. Nelson Mandela teria lágrimas nos olhos com o meu discurso (Pinto da Costa também, convencido que estava perante uma mulher do norte com um vernáculo mais abundante que o dele).

 

No entanto, agora que estava a escrever este post, tive uma epifania (tenho tido muito disto, ultimamente, e isso preocupa-me porque nunca mais me curo e qualquer dia começam a confundir-me com os pastorinhos com tanta revelação que tenho por dia). E essa luz que se me fez no cérebro, enquanto descrevia os acontecimentos, mostra um texto mais ou menos assim:

 

Mente Maria, fizeste dezenas de horas de tradução simultânea TÉCNICA. Mulher, tu grávida de 8 meses com uma barriga digna do Guiness traduziste senhores que nem eles próprios sabiam o que queriam dizer durante tardes infindáveis. És considerada a melhor tradutora simultânea do país nesta área pelos mais influentes, detentora de uma memória prodigiosa e um inenarrável poder de síntese. E, no entanto, foi preciso 36 horas, das quais 8 de sono, e incontáveis litros de água mineral. Foi preciso escreveres estes factos para perceberes que o que a aventesma queria perguntar não era se tu eras “english”. O que o Joker perguntou, alminha de Deus, é se tu falavas “english”!!!

6 comentários:

mãeee disse...

Amei este texto! Que sigam as epifanias :)

Mae Frenética disse...

ahahahahahah!!

T. disse...

LOL :D

Mente Quase Perigosa disse...

Mãeee já tive mais umas 2 ou 3, hoje. A última foi no corredor dos detergentes!!!!

:)

Quanto às restantes... Gozem... Gozem...

Maria Santos disse...

A epifania mais parece uma oração estranha... mas com essas epifanias... tudo pode acontecer!
o que me ri com este post... demais!

Mente Quase Perigosa disse...

Tudo pode acontecer mesmo, Maria!

;)