quinta-feira, 22 de julho de 2010

GÉNEROS MENORES

midnight_bayou

Se há coisa que me fascina há muito tempo é haver quem apelide certo tipo de escrita como menor.

“Ai tu lês Nicholas Sparks? Ai credo, mulher, que parolice!”; “Ai Nora Roberts? Isso é mesmo para donas de casa que não têm nada que fazer.”; “Ai livros de vampiros? K’orror! Detesto ler coisas da moda!”

Meus amores, o que é isso dos géneros menores? É que eu não entendo. Não é menor em vendas… Não é menor em leitores…

Acho que no nosso país há muito o síndrome de intelectualóide. Vamos pegar num exemplo clássico: Margarida Rebelo Pinto! Se esta senhora se assumisse como escritora de literatura de cordel, vocês iam ver o sucesso (ainda maior) que ela tinha. Mas não. No único livro que eu li (e mesmo assim, confesso que não foi até ao fim) dela, ‘Não há coincidências’, há uma tentativa de enrolar uma história simples em palavras mais complicadas do que o necessário para que não se caia na tentação de confundir a escritora com uma autora cor-de-rosa. E qual é o mal de ser uma autora cor-de-rosa, pergunto eu? Porque todos nos querem convencer que são capazes de escrever a Ilíada, mas que ao fazê-lo preferem guardar essa escrita para si mesmo, porque é uma coisa intimista e que aquele livro em especifico que está nas livrarias foi apenas um exercício, um ensaio para alguma coisa, com um objectivo tão especifico que a maioria dos leitores não consegue visualizar tal meta?

Há mercado para o género. Dá dinheiro que se farta. É coisa que diverte a escrever. Porque é que há uma necessidade tão grande de sermos todos Dostoievsky’s? Porque há necessidade de a maioria dos autores no nosso país tentarem justificar a queca da Rita e do João com uma simbologia new age relacionada com um antigo ritual de sacrifico dedicado a uma divindade directamente relacionada com o tamanho do falo e a fertilidade das fêmeas. Haverá assim tanto mal em sexo ser apenas sexo?

Quem fala dos autores de livros, fala dos autores de blogues. Porque há a necessidade de classificar blogues? Aquele é cor-de-rosa; aquele é de politica; aquele é misógino; aquele é menor! O que é um blogue menor? Quer-se dizer, as mesmas pessoas que advogam a ideia de que um  blogue é apenas um blogue e que são todos iguais e blá, blá, blá, whiskas saquetas, no minuto a seguir falam de blogues menores. Sou eu que estou a ver mal ou há aqui um certa incongruência?

Paremos com a adjectivação bacoca, meus senhores. Não há géneros menores. Pode haver géneros que não admiremos, géneros que não apreciemos, mas esses mesmos que nós tanto criticamos são os géneros maiores de muita gente. E eu, que já um dia sonhei ser uma Virginia Lobo (a coisa na nossa língua soa um bocadito estranha), hoje, se me dessem a escolher, era mas é uma Sveva Casati Modignani, uma Nora Roberts, uma Charlaine Harris, uma J.R. Ward… Ia passar os meus dias a criar famílias conflituosas, cheias de dinheiro, com passados obscuros que passam os seus dias a ter cenas de sexo escaldante na despensa e nas cavalariças e na garagem. Os dias em que não estivesse a criar esta gente que se ia tornar assim como que a modos de amigos com quem eu passava horas por dia, ia estar a gozar o belo do dinheirinho que ia ganhar com o ‘género menor’. Essa é que é essa… E com um plano tão fantástico, não sei que raio é que ainda estou aqui a fazer… Ah pois é… É que são menores e tal e não presta e são para donas de casa e para parvinhas, mas não estou assim, de repente, a ver muita gente que conseguisse fazê-lo… Pois é… País de treinadores de bancada, é o que nós somos…

6 comentários:

José Pedro disse...

Existem imensos géneros na literatura e nos blogues mas para mim só existem dois géneros de coisas que se leem, as que eu gosto e as que eu não gosto, para mim não existem mais rótulos estes dois chegam.
E posso acrescentar que gosto de muita coisa, pois se assim não fosse não teria mais de 3000 livros empilhados lá por casa.
E como gosto do que escreves continuo a ler e a comentar
Beijo
JP

ritmargaride disse...

:) Posso dizer-te que na minha estante da sala,os "Miseráveis " do Victor Hugo estão encostados à colecção de Harry Potter que li com o entusiasmo de um qq adolescente( shame on me).

Mas o mais engraçado MQP é que os criticam a literatura de cordel, ou os blogues das pipocas e afins, são os primeiros a ler. Faz-me lembrar as pessoas que não vêm novelas, e quando lhes perguntas como é k sabem tanta coisa sobre as personagens, respondem que leram numa revista no cabeleireiro ou no dentista (ah e nessa categoria tb se enquadram as que não leêm a "Maria" e a "Caras").

Beijos mil cachopa gira;)

Luz de Estrelas disse...

Xi, eu leio tudo. Sou uma prostituta. Há coisas que me fazem ter orgasmos literários, outras são só sopros quentes na orelha, mas lembro-me bem de uma altura em que ler Paulo Coelho me fazia bem e um estimado director de jornal me disse: Vais tu à Conf. de Imprensa. Com um desdém incrível. Olha lá, mas leste? Eu não, porra! Há pessoas que não dão uma oportunidade. Eu não gosto da Margarida, mas acho bem que haja quem goste. É ler! LER! E o teu blog é maior do que muitos altamente comerciais. Lidos, venerados. Lá está, há coisas que...

Dorushka disse...

Eu já estou como a Luz de Estrelas, sou uma prostituta... literária. Leio TUDO o que me aparece à frente. Mas, obviamente, não gosto de tudo o que leio. E já deixei muitos livros a meio, é verdade, porque, na altura, não era exactamente aquilo que me apetecia ler. Mas só a um é que não pretendo voltar a pegar, todos os outros estão na minha lista de espera, assim haja tempo para os ler. Sim, porque se não leio mais é porque não tenho tempo.
Gosto de todos os géneros, desde o policial ao romance de cordel, e não considero nenhum menor. Para mim um bom livro só precisa, para que eu o considere um bom livro, de me "agarrar" nas primeiras duas páginas. Se não o fizer, está tudo estragado, até posso lê-lo até ao fim, mas levo meses para o fazer. Se o fizer, sou capaz de o "devorar" em dois ou três dias, dependendo do número de páginas e do tempo disponível.
Um dos meus livros preferidos acabei de o ler a meio da noite: acordei com sede, fui beber àgua e quando me ia deitar olhei para ele em cima da mesa de cabeceira e não resisti...
Um outro acabei de o ler no trabalho: vinha a ler no autocarro, faltava-me umas 20 páginas para acabar e a história estava tão, mas tão, emocionante que pedi ao meu chefe para me dar uns minutinhos porque eu não conseguia concentrar-me sem acabar de o ler...
Quanto aos blogs, tenho a mesma opinião. Leio tudo, só não suporto erros ortográficos. Sorry, isso é que não! De resto, basta que me agarre ao primeiro post (ou ao segundo vá, que eu até sou de dar segundas oportunidades).

Mente Quase Perigosa disse...

Oh pá, juro que não estava fishing for compliments. Mas obrigada...

Por acaso, isto tem a ver com o facto de alguém se ter referido a um blogue como 'menor'. Mas não era o meu, senão tinham levado logo uma arrochada no meio dos olhos que até andavam de lado!

;)

Mente Quase Perigosa disse...

Por acaso não me lembrei das revistas e das novelas. Bem recordado. É igualzinho...