quarta-feira, 29 de setembro de 2010
MISTÉRIOS DA FÉ
A PRINCESA E O LOBO III
A Terra dos Lobos era em tudo semelhante ao Reino das Pedras Rubras. Os homens tinham pegado em todas as lembranças do que lhes era familiar e querido da sua terra e reproduzido ali. Jefté dera indicações para que não só fosse reproduzido o que lhes agradava a eles mas, sobretudo, o que eles sabiam que agradava às mulheres. A sua ideia era seduzi-las, atraindo-as com o conforto, fazendo-as assim deixar Pedras Rubras. Jefté queria ver Litgarda sozinha. Queria que ela sentisse a dor da rejeição como ele sentira no dia em que lhe fora comunicado a decisão real. Não foi ela que lhe disse. Isso magoava-o profundamente. A sua mulher nunca mais lhe falou desde o dia do nascimento da filha. A sua mulher nunca lhe perguntara porque é que ele não estava ao lado dela quando Amestris nasceu. A sua mulher nunca lhe dera o beneficio da dúvida nem uma segunda oportunidade. A poderosa Rainha Litgarda julgou-o e condenou-o sem nunca sequer lhe ter olhado para a cara. E, por isso, Jefté odiou-a. Passou noites infindas a odiar a única mulher que algum dia amou. Passou cada segundo dessas noites a urdir a sua vingança. A desejar vê-la tão sozinha como ele se sentia. Passou as noites a sonhar com isso e os dias a construir a Terra dos Lobos; a transformar a terra estéril para onde ela o lançara em algo com futuro, produtivo.
Quase 16 anos depois, Jefté bem que podia estar orgulhoso do seu trabalho. A Terra dos Lobos era tão produtiva e fértil como o Reino das Pedras Rubras. Jefté era conhecido nos reinos vizinhos como o Rei Sem Coroa. Era respeitado como um Rei e nenhum dos seus vizinhos se atrevia a desafiá-lo. A sua fama de rectidão e justiça precedia-o, bem como a fama da sua inflexibilidade e temeridade. Jefté agia como um homem que nada tinha a perder e, por causa disso, nenhum dos reinos adjacentes corria o risco de o indispor. Todos os soberanos tudo faziam para cair nas suas boas graças. Todos menos Litgarda…
Com o tempo, as noites a odiar Litgarda deram lugar à imensa saudade. Os planos de vingança, eventualmente, transformaram-se numa dor no peito que persistia ao ponto de Servando, o médico, ser consultado apenas para diagnosticar a absoluta ausência de doença.
E foi então que, um dia, Jefté dormiu. Simplesmente dormiu. Dormiu sem pensar o que poderia fazer para enfurecer Litgarda. Dormiu sem dores no peito. Dormiu sem sonhar com o corpo dela debaixo do seu. Simplesmente dormiu. A partir desse dia, Jefté começou a governar a Terra dos Lobos apenas com o objectivo de a ver prosperar, sem o fito de prejudicar Litgarda. Claro que se a oportunidade surgisse de a irritar solenemente, não seria ele que a negaria. Ao fim ao cabo, isso seria quase contra-natura…
Havia apenas uma altura em que o coração dele ainda se apertava com saudades de Litgarda e, essa altura, era o primeiro instante de cada vez que encontrava Amestris. A filha, quase uma mulher já, era a exacta cópia de Litgarda. A Litgarda por quem ele se apaixonara há tantos anos atrás, quando as coisas eram tão diferentes, e Jefté não podia deixar de pensar nisso naqueles primeiros momentos em que via a filha.
E era precisamente nisso que Jefté pensava, à janela do seu quarto, quando Jugurta entrou dizendo-lhe que precisavam falar, precisamente, de Amestris.
NOVELA JÁ, JÁ, JÁ A SEGUIR A UM CURTO INTERVALO PARA COMPROMISSOS COMERCIAIS
Entretanto, deliciem-se com isto.
Liiiiiiiiiiiiiiiiindo de morrer!
É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE EU E O PORTEIRO DO BAR DO JOÃO NÃO VAMOS PARA O CÉU
Em plena hora de almoço deparo-me com um livro que se chama “Como falar com um viúvo”.
Pensamento automático: “Boa! Compro o livro e depois só me fica a faltar matar a mulher dele!”
Disclaimer: Isto é uma hipótese académica. Os meus amiguinhos casados podem dormir descansados que eu não encomendei nenhum servicinho à Máfia Calabresa que envolvesse o nome da sua esposa. Toda a gente sabe que eu não tenho dinheiro para a Máfia Calabresa. É que a Ndrangheta é só a Máfia mais perigosa do Planeta, logo deve ser a mais cara. Constou-me que a Camorra (que curiosamente se dedica em grande parte ao fabrico de cimento e talvez daí tenha nascido a tradição do ‘sapatito de betão’) é capaz de ser mais em conta. Como é que eu sei tanto de Máfia? Ora… Eu leio muitos livros… E vejo filmes… Só isso… Só mesmo isso.
COISA MAI LINDA
E chegou o Outono e as folhinhas a cair e os tons castanhos e verdes e o fresquinho ao fim do dia e as castanhas assadas e blá… blá… blá…
Eu, mesmo que não adorasse calor, praia e roupa leve e o chinelo no pé, ainda assim diria para onde poderia ir o romantismo do Outono. E não é um destino turístico!
Ass: Mente Maria em Allergy Mode espirrando que nem uma maluca.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
OS QUE AS MULHERES QUEREM I
A PRINCESA E O LOBO II
As mulheres do Reino das Pedras Rubras eram educadas para ter apenas um interesse na espécie masculina: no seu corpo. Educadas com a ideia de que os homens apenas as queriam para sexo e pouco interessados estavam na sua essência, elas haviam aprendido a viver sem eles. Haviam aprendido a viver em comunidades onde dependiam apenas do conforto emocional das mulheres e a abdicar de toda e qualquer ilusão numa relação com os homens que envolvesse mais profundidade do que aquela que dois corpos conseguem alcançar numa noite tórrida de sexo. Certo era que a grande maioria mantinha relações com apenas um homem, pelo menos, de cada vez. Tal não havia sido preestabelecido nem determinado pelas regras impostas por Litgarda mas tinha sido esse o rumo natural que as coisas tinham seguido.
Os homens da Terra dos Lobos, no entanto, nunca iam a Pedras Rubras nem estavam autorizados a contactar nenhuma mulher. Toda e qualquer iniciativa partia exclusivamente delas. A regra imposta pela soberana tinha sido alvo de protestos ao longo dos anos. Mas, impossibilitados de visitar o Reino, nenhuma alternativa restava aos homens a não ser fazer chegar cartas à Rainha. Cartas essas que ela fazia questão de devolver na mesma condição que lhe chegavam às mãos: invioladas. Nem por uma única vez, que se soubesse, a Rainha voltara a comunicar com qualquer membro do sexo masculino. Cabia a Remígia, sua assistente e diplomata, a comunicação com a Terra dos Lobos. Remígia fora incumbida dessa severa missão pouco tempo depois da lei do exílio ter sido proclamada. Doce mas firme, Remígia tratava de todas as questões relativas à prosperidade de ambos os lados, relembrando sempre Litgarda que também os habitantes da Terra dos Lobos eram seus súbditos. Podiam ser homens mas era seus súbditos. Quando a Rainha estava acometida de alguma fúria, Remígia sabia qual o lado a que apelar e relembrava-a de que todos os meninos quando completava 10 anos eram enviados para a Terra dos Lobos. Quereria a Rainha que os filhos, ainda jovens, das suas devotas súbditas passassem necessidades? E com essa frase, Remígia conseguia, invariavelmente, levar boas novas a Jugurta, o seu equivalente na Terra dos Lobos.
Remígia, no entanto, debatia-se agora com um problema. A aproximação do aniversário de Amestris iria causar problemas. A Princesa não era uma qualquer mulher, livre de passear pela Terra dos Lobos e escolher o homem que lhe apetecesse. Se bem conhecia Litgarda, Remígia sabia que a Rainha nunca o permitiria. E foi essa preocupação que a levou a decidir procurar Jugurta pessoalmente.
OH PÁ E A PENA QUE EU TENHO DE SER DISTRAÍDA?

Com esta história da novela, agora apetecia-me que fosse antes um policial. E ponho-me a pensar: "E porque não as duas?" E a gaija que vive dentro de mim, e que é bem mais esperta que eu, relembra-me que Pedro Camacho basta um!
BOLO DE CHOCOLATE

Apetecia-lhe um bolo de chocolate. Era tarde. Os escritórios estavam vazios. Ela sabia que apenas um gabinete ainda tinha luz. O dele. Também ele fazia serão esta noite. E a ela apetecia-lhe um bolo de chocolate. Olhou para os sapatos altissimos que tirara quando toda a gente saiu. Voltou a calçá-los. Ía desafiá-lo para um bolo de chocolate no café da esquina. Sentiu o estomago a apertar. Ela sabia há muito tempo que o queria, mas ele punha sempre o ar altivo na sua presença e mantinha a distância dela. Não hoje, decidiu ela. Hoje, ela ía convidá-lo para comer um bolo de chocolate.
Quando apareceu no umbral da porta do escritório dele, pensou em voltar atrás mas ele viu-a antes que ela tivesse tempo de se arrepender. Encostou-se à parede ao lado da porta e disse-lhe ao que vinha e viu a boca dele arquear num meio sorriso. Ele levantou-se e aproximou-se dela e, colocando as mãos na parede onde ela se apoiava, baixou-se e beijou-a. Ao de leve. Tão ao de leve que ela ficou até com dúvidas se tal beijo tinha mesmo acontecido uma vez terminado. Ela começou a senti-lo a afastar-se. Ela não queria que ele se afastasse. Num impulso, puxou-o pela gravata e colou a boca dela à dele, passando os braços em volta do pescoço dele. A reacção dele foi imediata e, agarrando-a pela cintura, levantou-a, forçando-a a enlaçar as pernas na cintura dele para depois a deitar em cima da secretária onde, até instantes antes, estava a trabalhar. Quando deslizou a mão pela coxa dela, ouviu-a gemer o seu nome enquanto a sua mão encontrava a seda húmida da lingerie dela. De olhos fechados, enquanto sentia o calor dela, sentiu a gravata ser-lhe tirada, a camisa a ser aberta e a sua pele a entrar em contacto com a pele dela. Sentiu o corpo dela a arquear por baixo do dele. O cheiro que ele sabia que o perseguiria por muito tempo, inebriando-o, a entranhar-se no seu ser. Sentiu as mãos dela no seu cinto, no seu fecho e, depois, no seu ser. Arrancando de vez o pedaço de tecido que o separava daquilo que ele mais queria na vida naquele momento, ele fundiu-se no corpo dela.
Na sua mente, quando sentiu o corpo dela subir de encontro ao seu, passou vagamente a ideia de que aquele era o melhor bolo de chocolate que tinha comido em toda a sua vida…
Disclaimer: Todo o sexo feito durante este post foi feito de forma segura. O preservativo é o vosso melhor amigo. Nunca o deixem em casa.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
ISTO, SIM, ERA COISA QUE ME FARIA FICAR PARA O RESTO DA VIDA
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“És minha e eu não vou afastar-me só porque tens medo.”
(Private Practice)
Sim, sim… Sexo vem já a seguir…
SE EU RECEBESSE 5 EUROS POR CADA PENSAMENTO IMBECIL COM QUE OCUPO A MINHA CABECINHA
O Mini-Saia lançou no facebook a seguinte pergunta: Se fosse para uma ilha deserta e só pudesse levar, entre outras coisas, 3 produtos de beleza, quais seriam eles?
Isso a mim não me diz muito. Nunca pensei muito nisso em termos de produtos de beleza, confesso. Mas houve ali uma resposta com a qual me identifico profundamente e nisso, sim, já eu pensei muitas vezes. E foi a desta menina:
É que eu nunca entendi porque é que as naufragas e gaijas que caem de aviões ou são raptadas e atiradas para ilhas desertas não ficam com mau aspecto! Carago, a Kate do Lost andou seis temporadas para ali e nem um pintelho se lhe apareceu. Nunca uma sobrancelha lhe cresceu fora do sitio. Sim, eu já ponderei que houvesse gilettes e a moça entre fugir, correr, descobrir os mistérios da ilha, embrulhar-se com os dois gaijos mais giros lá do estamine, ainda arranjasse 2 ou 3 minutos para tratar do pelâme, mas aquilo é uma data de tempo! Havia assim tanta gilette no avião? É que havia lá mais gaijas igualmente de pele lisa como um bebe... Também considerei a hipótese de Deus afinal ser um gaijo muita justo e só deixar que mulheres que tenham feito depilação a laser, previamente, possam sobreviver para chegar à ilha deserta. Mas, lá está, há sempre qualquer coisita que lixa estes meus pensamentos acerca da bondade divina e que me leva, novamente, à certeza de que "Ahhhhh que isto é tudo mentira, pá!"; e, neste caso, a coisita é a Brooke Shields. A bela da Brooke Shields que foi para a ilha era uma pirralha (Lagoa Azul para os mais novitos que possam não saber do que estou a falar e só a conheçam do Lipstick Jungle). Era uma pirralha que foi para a ilha com um pirralho e com um velho tarado e alcoólico. E dizei-me: quem lhe fazia a depilação? Quem lhe ensinou que se devia fazer? E laser ali não havia, sim?
É que parecendo que não, estas coisas agastam-me. Porque eu estou mesmo a ver que quando chegar a minha hora de me ver trancafiada com uma data de Jacks e do outro que não me lembra o nome, a coisa não vai correr assim tão bem. Porque eu acho mal que os senhores da televisão enganem os homens assim. É que quando os Jacks e os comó outro que não me lembra o nome - e se tinha googlado tinha dado menos trabalho – caem numa ilha (eu nunca sei como eles lá chega(ra)m mas isso agora também não é relevante), eles vão à espera de Kates mas disso acho que na maioria das ilhas não há. E eles ao aperceberem-se disso ficam chateados que ficam. Que a gaija quando cai até pode ser jeitosa, mas um mês depois, a coisa começa a descambar e, ao fim de dois meses, eu diria que 'you don't wanna know'…
E são estas as coisas que me amofinam enquanto estou aqui a ouvir o Bublé em dose industrial que acabei por ir buscar o Mêpêtrês/quatro ao carro que me estava mesmo a apetecer e a tentar decidir qual a versão desta música gosto mais…
DAS COISAS PARVAS QUE EU FAÇO
Andava eu aqui no youtube à procura de uma versão sem ser live do I’m your man do Bublé (sim, eu leio o Captain…) e de repente dei por mim a tentar escrever muito depressa e a tentar mudar de página antes que este senhor começasse a cantar. E enquanto escrevia o nome no campo de busca ia ficando cada vez mais perdida de riso porque só pensava: Mas não seria mais fácil carregar no Back do que tentar fazer isto em contra-relógio?
P.S.: Consegui fugir a tempo e não ouvi nada que saísse daquela boquinha. É que não sei se é bom, se é mau. Mas ontem já vi os Ídolos e chegou-me para o resto da semana!
A PRINCESA E O LOBO I
Era uma vez uma Princesa muito bonita que vivia no Reino da Pedra Rubra. A Princesa tinha crescido a ouvir histórias terríveis que sua mãe contava sobre os homens e o pouco que eles valorizavam as mulheres. Tanto assim era que a Rainha (sendo ela a herdeira da coroa) havia banido todos os homens do reino e eram as mulheres que decidiam quando os queriam ver. Para tal saiam do Reino, faziam como lhes aprouvesse e voltavam.
A Rainha havia tomado essa decisão porque o seu consorte era um mulherengo que preferia beber copos e assistir a torneios do que a dar-lhe atenção. “Eram assim todos os homens”, decretara a Rainha , e assinara a lei que condenou todos os homens ao exílio, segurando ao colo a filha recém-nascida a quem chamara Amestris, que significava ‘amiga’, honrando assim a promessa que fizera a si mesma, enquanto dava à luz sem saber do marido, na companhia das suas amigas mais próximas. Foi no instante que segurou Amestris, pela primeira vez, que Litgarda – assim se chamava a Rainha – decidiu que não queria que a filha crescesse sonhando e idealizando o amor e, para prevenir tal inevitabilidade, baniu os homens da corte.
De nada serviram a Jefté, o marido da Rainha, as súplicas, promessas de mudança e arrependimento. Litgarda decidira que esta atitude era o melhor para sua filha e mesmo sabendo que nunca haveria outro homem que a fizesse sentir como Jefté fazia, expulsou-o juntamente com todos os outros. Fora quase há dezasseis anos que Litgarda tomara tal decisão e, em todo esse tempo, nunca mais voltara a ver Jefté com receio de voltar atrás na sua palavra. Durante esse período, Jefté vira a filha várias vezes. Lufinha, a aia da Rainha, levava a criança ao pai à Terra de Ninguém que era o pedaço de terra que separava Pedra Rubra da Terra dos Lobos, domínio dos homens . Amestris via em Jefté um bom pai e um bom amigo mas também via um homem. Aliás, via o único homem que alguma vez conhecera. E, embora o pai lhe parecesse muito diferente de tudo o que a mãe lhe dizia do género masculino, Amestris tinha receio de confiar.
Agora, quase a completar o seu décimo sexto aniversário, Amestris estava prestes a visitar a Terra dos Lobos pela primeira vez. Assim era com todas as mulheres de Pedra Rubra: faziam a sua primeira visita ao antro daquele que muitas vezes viam como inimigo no dia em que completavam dezasseis anos. Assim era com todas as mulheres e assim seria com Amestris.
PROGRAMA DE FESTAS
O sexo há-de ser para hoje, que eu sei que estou em falta. Posso sempre alegar que tive uma enxaqueca, não?
Sai hoje, também, o primeiro capítulo de uma novela que se quer diária. Vamos lá a ver se será possível. É uma história dos nossos dias. Cativante… Eu acho que vão gostar… Coisinha assim para vos entreter à hora de almoço que eu sei que é um tempo morto. Se bem que sempre que penso nestas coisas, começo-me a imaginar como o Pedro Camacho e a coisa descamba antes mesmo de começar…




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