
Criança entregue.
Pintei as unhas dos pés de roxo.
Prometi falar com ele todas as noites ao telefone.
Fui tomar o pequeno-almoço e dei por mim de olho nas crianças dos outros porque me faltava de quem tomar conta.
Ele prometeu que todas as noites quando eu telefonasse ele viria para casa.
Vou a banhos agora e acho que já não sei estar na praia ou na piscina deitada de olhos fechados.
Acho que aquilo dos telefonemas vai dar merda.
Já escolhi o vestido para sair logo à noite sem que alguém me perguntasse para que era aquela roupa, onde ia e me dissesse que era muita (ou bueda, que é a palavra do mês) ‘xiro’.
Sobram-me sempre olhos, mãos e tempo quanto estou sem ele.
Amanhã vou mudar os móveis de sitio.
Não gosto que me sobrem olhos, mãos e tempo.

