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sexta-feira, 24 de abril de 2009

QUANDO FOR EU, LEVEM A CHOURIÇA E A BROA, S.F.F.

(Foto de Maria Rosário Azevedo Mendes, dedicada mesmo a ele aqui.)

Quando foi decidido, contra todas as minhas convicções, que haveria um velório toda a noite, eu pensei cá de mim para comim: Mente Maria, isto vai correr mal que tu não tens pachorra para velhas carpideiras a babarem-te as bochechas a noite toda!!!!

O que eu não sabia é que as pessoas que nos babam as bochechas têm que ir para casa dormir para ter força nos beiços para nos babar convenientemente no dia a seguir (sim, eu sei que as pessoas querem confortar-nos e tudo e tudo e tudo, mas podia ser um bocadito menos, não?).

Assim sendo, o que restou: foi o pessoal sub-35 que roubou o aquecedor de debaixo da altar, o acendeu e o baptizou carinhosamente de 'padre'; montou um camping gaz; uma que roncou toda a noite debaixo de um edredon cor-de-rosa; a minha irmã a rir debaixo de uma gabardine e a tentar pôr ordem no estaminé "porque eu quero dormir! parem lá de falar de pulgas!"; um debate acirrado sobre a alimentação vegetariana; uma ida à bomba de gasolina porque tava tudo a morrer de fome; há um nicho de mercado que deveria ser explorado e que consiste em buffets para velórios. Agência que invista nuns acepipezinhos tá garantida, é o que vos digo.

Não foi digno, não senhora, mas também não foi triste. Foi de uma forma que ele teria, decididamente, aprovado. Acho que ele só teria reclamado porque não houve nenhuma alminha que se tivesse lembrado da garrafa de whisky, embora ainda tivesse havido uma cervejita a circular.