Se houve coisa que eu relembrei nesta passagem de ano é que uma Senhora é uma completa fingidora (ai pensavam que era o poeta? Tolos…). Está tão entranhado em nós que o fazemos já sem pensar. Mas quando nos detemos a meditar nisso, percebemos as nossas rugas, o nosso cansaço, a nossa frustração.
A quantidade de vezes em que os sapatos de salto alto nos matam sem que o sorriso nos saia dos lábios enquanto o mindinho está a ser partidos em 1000 pedaços; os infindos momentos em que estamos numa encruzilhada da vida e na nossa cabeça analisamos milhares de caminhos que podemos tomar para resolver a questão, enquanto olhamos em volta e dos nossos lábios apenas sai um “ninguém quer mais uma fatia de bolo?”.
As Senhoras fazem bluff todos os dias da vida delas. Aliás, fazer bluff é a vida delas e depois temos a maior cara de pau do mundo e, sorrindo, ao mundo defendemos a nossa frontalidade como nossa maior virtude e juramos a pés juntos, quando nos apanham naquela fracção de segundos em que mostramos um ar alheado, que estávamos a pensar o que seria o jantar dia seguinte e voltamos a sorrir e toda a gente acredita.
