
“No one can stand in the middle of fire and not be consumed...”
(Possession)
Imaginem a seguinte situação:
Estão prestes a fazer a maior tolice da vossa vida adulta. Têm consciência que é um perfeito disparate. Mas é um disparate completamente irresistível.
Se eu tivesse 10 euros por cada vez que cito o Visconde de Valmont no seu célebre: it’s beyond my control”…
É como aquele fondant de chocolate. Nós sabemos que não podemos dar uma só dentada. Sabemos que assim que sentirmos o chocolate derretido no interior, nos vamos perder. Mas vezes sem conta, damos por nós a morder a delícia e a maldizer a nossa fraca vontade. Damos por nós a jurar que não caminharemos esse caminho da perdição novamente, tão somente para na esquina mais próxima aproximarmos os lábios do próximo bolo de chocolate.
É como aquele último copo (é sempre o último que faz mal, não é?) que nos faz jurar nunca mais beber. Até ao dia seguinte…
Agora, se nos dessem tempo para pensar. Se tivéssemos oportunidade de ponderar as consequências? Comeríamos ou não? Bebíamos ou não?
Acaso se pode desculpar um disparate cuidadosamente calculado? E a queda no abismo? A quem se deve imputar a responsabilidade, nesse caso?
