Tenho sérias dificuldades em acreditar no destino.
Tenho sérias dificuldades em acreditar no amor.
Tenho sérias dificuldades em acreditar em finais felizes.
Olho à volta e não vejo sentido, não vejo caminho. Sinto-me em parco equilíbrio mas, curiosamente, não tenho medo de cair. A vida parece um lugar estranho onde não me encaixo mas de onde não quero sair.
Hoje, e só hoje, acredito que não há sentido em nada e que as coincidências são apenas isso. Coincidências. Sinto que toda a vida acreditei em conceitos errados e que está na altura de crescer.
Hoje, e só hoje, não acredito em almas gémeas nem telepatia nem em empatias nem em amor à primeira vista. E já que estamos neste espírito, repudio a paixão e a atracção.
Hoje, e só hoje, convenço-me de que vou deixar de me emocionar com uma música, um filme ou um livro porque nada disso é real e não vale qualquer tipo de sentimentos.
E depois… Depois recordo o sorriso do meu filho, relembro a emoção de um primeiro beijo, penso numa qualquer altura em que 2 olhares se cruzaram e o coração acelerou, ouço na minha cabeça a gargalhada de amigos, sinto a brisa quente de uma tarde de verão no meu rosto na minha língua o sabor de um vinho tinto, ouço uma música que adore e algo acontece…
A respiração acelera-se e, simultaneamente, um sorriso aflora os meus lábios e uma lágrima os meus olhos e eu sei que tudo isto é mentira porque é mais forte que eu. E eu vou sempre acreditar que tudo acontece por um motivo.
Como diria o meu bom ‘amigo’, o Visconde de Valmont: “It’s beyond my control…”
