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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

AGORA, SIM: VOLTEI!

O cheiro é talvez o sentido mais apurado que eu tenho. Por vezes, sinto-me quase canina na forma como consigo distinguir os aromas. Como tal, se há coisa com a qual sou esquisitíssima - embora adore - são perfumes. Sou mesmo alérgica a determinadas fragrâncias o que já me causou muito desgosto na vida por não poder usar perfumes que adoro.

Outra coisa que adoro é o sentimento de regresso de férias. Faz-me sempre recordar quando as aulas começavam e estávamos naquela altura do ano em que escolhíamos os cadernos e as mochilas e a roupa para o novo ano escolar.

E cá estava eu, hoje, com essa sensação de recomeço e sem nada para comprar quando me tentaram… Tentaram a minha sensação de novo com perfumes novos. E eu gosto que me tentem e se há algo a que eu não resisto são tentações.

Só assim se explica – assim e com a conversa do jantar de sábado que me deixou com vontade disto mesmo – que eu tenha comprado, não um mas, dois perfumes.
A tentação do novo misturada com a nostalgia das recordações…
Lembro-me de quando usava o One. Lembro-me, ainda sinto no nariz, o cheiro do perfume misturado com o cheiro de cabedal. Lembro-me de como se impregnava no meu cabelo, muito comprido na altura. Lembro-me do frasco de 100 ml a espatifar-se na tua casa-de-banho, Shana. O One lembra-me esse tempo, há 16/17 anos (porra!) em que não havia preocupações de monta maior além de onde ir na sexta-feira à noite e quem é que iria também. Lembra-me a tuna e o bar do Perry (agora aquilo é chique, n’é?). Lembra-me Cuba e piñas coladas. Lembra-me primeiros amores e ‘mudanças de móveis’ na casa da Rua Castilho.

O Scarlett é novo. Saiu agora.

Apaixonei-me primeiro pelo nome. Faz-me lembrar a Vivien Leigh a fazer vestidos a partir de cortinados naquilo que podemos considerar o verdadeiro recomeço. Faz-me lembrar a mesma Vivien a atirar-se aos pés do Clark Gable, em soluços, suplicando: “Rhett, Rhett... Rhett, if you go, where shall I go? What shall I do?” Enquanto, ele a despreza com uma das melhores falas de cinema de todo o sempre e que qualquer humano espera ter a hipótese de usar um dia: “Frankly, my dear, I don't give a damn.” E faz-me lembrar que apesar disso, ela não só sobreviveu como se ergueu e seguiu a sua vida.

Apaixonei-me depois pela embalagem. A imitação da delicada renda ou da frágil madrepérola que apesar de tudo resiste ao passar do tempo e das gerações. Que mais podemos nós querer para os recomeços senão algo que seja bonito, delicado e que dure? Ou que, pelo menos, seja infinito enquanto dure…

E assim, sem cadernos novos, mas com a nostalgia e a expectativa em forma de essência, abro as hostilidades para o novo ano que se adivinha (tenho sempre mais a sensação de ano novo em Setembro do que em Janeiro…) e confesso que estou desejosa de que os jogos comecem.