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sexta-feira, 17 de julho de 2009

INTIMIDADES

Vagueio pela casa como um fantasma bizarro. Deveria dormir mas tu não me deixas. Deito-me e tudo o que acontece é o som da tua voz na minha cabeça e a recordação do arrepio causado pelas tuas mãos nas minhas costas.

Sinto a tentação de te ligar mas lembro-me de te esquecer mais um bocadinho.

Tu vais ser o meu livro na parte de trás da estante, a minha garrafa de whisky velho guardada para um dia especial e vou-me esquecer da tua existência como se esquece os tarecos antigos. E, um dia, vou-te tirar do escuro. Um dia, vou-me lembrar de te ler e de te beber.

Até lá não vou andar atrás de ti e, como sabes, nunca irei implorar. Mas, nesse dia, vais acordar ao meu lado e vais-te perguntar: “Como é que isto aconteceu?” E eu vou-te responder que aconteceu porque, uma manhã, enquanto tomava café e fumava um cigarro, eu decidi que ia acontecer.