sábado, 7 de agosto de 2010

HOJE, UM HOMEM…

Black Shoes

Viu algo de mim que nunca outro tinha visto. Hoje, um homem viu todos os meus sapatos de Inverno.

Diz quem o encontrou depois que não era o mesmo. Eu, da minha parte, jamais esquecerei o olhar dele. A certeza de ter partilhado uma das mais importantes revelações da vida. E o terror que isso lhe causou.

(Abençoada a hora que escondi os vinte e picos, trinta e tal parzitos de Verão…)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A MINHA SILLY SEASON É MELHOR DO QUE A SILLY SEASON DOS VERDADEIRAMENTE SILLY

Este é o fim-de-semana em que tenho de interromper obrigatoriamente a silly season. O fim-de-semana anual em que troco o mini vestidos e as sandálias, pelo vestido preto de tecidos nobres e sapatos de salto fino.

Este é o fim-de-semana em que as gargalhadas não se soltam e os sorrisos são muitas vezes cínicos.

Pelo menos, até às 2h da manhã de Domingo, esta Mente irá debater os destinos da nação munida de vestidos de cocktail e saltos agulha.

E a pena que esta Mente tem de ter de efectuar esta troca?

(E a faculdade que esta Mente tem de conseguir trocar de vestido dentro de um carro às 2 da manhã de um Domingo?)

AINDA O PROBLEMA DAS MULHERES

É não perceberem que são os homens quem mais dificuldade tem em distinguir os seguintes conceitos:

- Amor

- Paixão

- Tesão

(Não, não é um problema dos homens porque, NA MAIORIA DOS CASOS, desde que consigam dar asas ao 3º, não há grandes preocupações em estar baralhado acerca das verdadeiras motivações.)

I’M INCLINED TO AGREE…

“That’s the woman you could love, Tom. A bad girl. Maybe that’s the only woman there is. Wouldn’t that be reconforting…”

(Unidade Especial)

TELL ME MORE… TELL ME MORE…*

Em Abril saiu desta boquinha linda que tinha para mim que este Verão iria ser uma reprodução dos Verões da nossa adolescência. Tive o feeling… Às vezes, tenho feelings, outras tenho epifanias. Vezes há ainda que tenho taquicardias, mas isso são outros quinhentos.

Rio à gargalhada com os telefonemas a perguntarem ‘o que é que eu visto’, ‘o que é que eu faço’, ‘ai Jesus e se ele me tenta beijar’. Rio… Rio muito porque me transporto para outro tempo. Lembro as vezes que o guarda-roupa ficava espalhado em cima da cama porque nós, gaijas, nunca temos nada para vestir e já vi isso acontecer este Verão numa reprodução perfeita do que sucedia há 15 anos atrás. Rio porque girls will always be girls por muita experiência que tenham e aquele primeiro beijo há-de sempre causar muitas úlceras. Rio porque vejo as minhas amigas de pele bronzeada rirem. Rio porque o Inverno foi duro e muitas choraram mais do que devia ser permitido por lei. Rio porque já não choram. Riem e gozam e brincam e pensam em coisas levianas como se os calções serão muito curtos e se terão mamas para os decotes. Rio porque todos nós temos o direito de voltar atrás no tempo e cometer loucuras. Rio porque algumas são Morangos com Açúcar enquanto eu sou mais Lua Vermelha mas é a mim que falam de trapos porque outras há que nem sabem a que estação pertencem. Rio porque o Verão é curto e a felicidade é isto mesmo: pequenos momentos, pequenas coisas, pequenas gargalhadas. Rio porque sei como tudo vai acabar. Vai acabar exactamente como acabava há 15 anos…

Quando chegar Setembro, ainda sob os últimos raios de sol, enterramos tudo na areia da praia onde sabemos que vamos voltar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SEMÂNTICA ou INTERVALINHO NA SILLY SEASON ou E VAI DAI TALVEZ NÃO

“Desculpe lá… Nós não somos caloteiros!!! Somos devedores…”

E a mim só me apetece dizer: “You like potato and I like potahto” e pôr a música a tocar

LET'S TALK ABOUT SEX, BABY...

Em mil nove e trinta e cinco, quando eu era xavalita, a malta saía à noite, que saía. As discotecas fechavam às 4 e toda a gente teve aquela(s) noite(s) louca(s) que foi dar uns amassos para a praia.

Em dois mil e dez, a malta sai à noite, que tens vezes em que sai. As discotecas fecham às 9 da manhã. A minha grande questão é: se a xavalada agora quiser dar uns amassos, vai para donde?

É que se dantes, aparentemente (pelo que ouvi e pelo que li, que eu leio muitos livros e vejo muitos filmes), a malta passava a noite na disco e depois lá conseguia levar a água ao seu moinho (estas metáforas estão lindas, estão…). Agora parece-me que a malta passa a noite na discoteca para, na melhor das hipóteses, arranjar companhia para o pequeno-almoço!

E ainda dizem que a juventude está perdida? Meninos de coro é o que é, comparados com os de mil nove e trinta e cinco.

E depois admiram-se que a juventude tenha problemas de obesidade… Ao menos, no meu tempo gastavam-se (ainda mais) calorias antes do descanso do guerreiro.

SILLY SEASON

Diz que blogue que é blogue só entra, verdadeiramente, em silly season depois de um post que inclua a palavra ‘verniz’.

Este blogue está em silly season há já uns dias mas, pelos vistos, falta a comunicação oficial. Nunca percebi porque é que temos que dizer o óbvio. Aliás, considerando que a minha lista de compras ontem tinha 3 itens apenas (e, considerando quais eram), acho que não vale a pena dizer mais: 4 iogurtes naturais açucarados, 32 cápsulas de Dolce Gusto Ristretto e qualquer coisinha para vestir na sexta-feira.

Mas assim fica mesmo tudo avisado. Já não há desculpas. Até porque a seguir vou falar de sexo e não quero que sejam apanhados desprevenidos.

(P.S.: Sim, eu sei que falta o post do Clube das Divorciadas.)

(P.S.1: Sim, gaijas, aquela cena da foto para tirar o verniz é a melhor invenção desde a criação dos tampões e da pílula contraceptiva.)

ESTÃO A VER PORQUE GOSTO DOS CTT?

É que a empresa tem sentido de humor. Que tem…

Numa iniciativa de marketing, decidiram enviar aqui para a xafarica uma encomenda. Em formato de embalagem de pipocas. Lá dentro uma campanha de sensibilização para o novo Tarifário DM Eco. Segundo os senhores, o objectivo é despertar os 5 sentidos dos clientes. Para tal, enviam dentro da embalagem, além do folheto explicativo, uma embalagem de pipocas salgadas para microondas. Gosto destes senhores que gosto. Já vos disse que aprecio o sentido de humor dos CTT?

ONCE IN A BLUE MOON…

Elas têm dúvidas. Gozam até com esta teoria. Todas franzem o sobrolho quando digo que qualquer ‘beto’ tem mais potencial do que qualquer ‘bad boy’. Riem-se quando digo que o ‘beto’ é que é coisinha para se ver despenteado.

E é verdade, o ‘beto’ com a seu ar composto é um fingidor. O ‘bad boy’ é o que é.

O ‘beto’ passa a maior parte da sua vida com aquele ar arrogante, a sua camisa cuidadosamente passada e abotoada, o cabelo irrepreensivelmente penteado.

No entanto, de vez em quando, once in a blue moon mesmo, algo acontece que faz com que o ‘beto’ tire (ou lhe tirem) a fralda da camisa para fora e desabotoe (ou lhe desabotoem) mais 1 ou 2 botões; algo faz com que que o seu cabelo irrepreensível se despenteie; algo transforma a sua arrogância num meio sorriso.

Quem já assistiu a esse fenómeno, aprende que um ‘beto’ tem potencial para ser mais perigoso que qualquer ‘bad boy’ para qualquer mulher. Porque, minhas lindas, um ‘beto’ despenteado é a mais sedutora espécie masculina à face da Terra. E eu nunca conheci mulher alguma que resistisse a um bom jogo de sedução…

LOVE BITES

6.30 da manhã é a hora a que, ultimamente, me mordem. Até ontem não me queixei. Mas há limites para tudo. É se é para uma gaija ser mordida na cama, ao menos que não seja por melgas, caraças!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A MINHA ESTIMA PELO ZÉZÉ CAMARINHA ESTÁ LÁ NOS PÍNCAROS

Ora andava eu aí pelos lugares da moda quando me alembro (do verbo recordar com muita força) que aquilo, nesta altura do ano, é só mesmo estrangeirada. Eu sou uma moça sossegada. Eu não me meto com ninguém. Eu nem se sequer me mexo. Só os olhitos e as mãozitas (a direita para elevar o copo, a esquerda para fumar um cigarrito de quando em vez). Mas toda a gente sabe que se algo inusitado está para acontecer, deve olhar na minha direcção que a acção é mesmo lá!

Ora, estava eu uma noite destas sossegadita na minha vida a ouvir uma triste, muito triste, tão triste, imitação do ‘I want to break free’ quando vejo um ‘istrangeiro’ a preparar o ataque, qual leão na savana africana. Vi-o tentar equilibrar-se no chinelito de dedo (já vos tinha dito que eram aí umas 2 da manhã?), agarrar no copo, ensaiar um andar que, tenho a certeza que na cabeça dele seria semelhante ao do Gerard Butler no Lara Croft, mas que a mim apenas me parecia o Joker no Batman Forever. Estava eu nessas cogitações quando me apercebo que o alvo sou mesmo eu. E confesso que, nessas alturas, vem ao de cima o Comandante Sullenberger que há em mim e apetece-me gritar: “ Brace for impact!!!!!!”

Chegado aí a uns 2 metros da minha pessoa, grita-me o ‘istrangeiro’: “English?” Eu respondi, prontamente, que eu sou moça educada: “No!” O raisparta do camóne etilizado vira costas e desabelha!

Ora porra, eu sou gaija! Eu não o queria para nada. Aliás, eu até teria agradecido o facto de ele não me ter gritado que eu detesto que me gritem. Mas sou gaija. E gaija que é gaija fica ofendida quando é rejeitada! Masquestamerda??? Só porque não sou english nem tenho direito à conversa de engate foleira que se adivinhava? Afinal, os gaijos vêm para o nosso país e além de continuarem só a comer batatas fritas também só engatam da sua própria nacionalidade? Onde está a Carta dos Direitos Humanos agora? Cadê a lei contra a discriminação? Esta cena também é apartheid!!! Anda os coitados dos jogadores de futebol lá na Africa do Sul a começar os jogos do mundial com apelos contra o racismo e eu sou discriminada no Bar do João por causa do meu país? Acreditem que eu espingardei muito mais do que isto naquela noite. Eu fiz uma conferência digna da Amnistia Internacional. Nelson Mandela teria lágrimas nos olhos com o meu discurso (Pinto da Costa também, convencido que estava perante uma mulher do norte com um vernáculo mais abundante que o dele).

 

No entanto, agora que estava a escrever este post, tive uma epifania (tenho tido muito disto, ultimamente, e isso preocupa-me porque nunca mais me curo e qualquer dia começam a confundir-me com os pastorinhos com tanta revelação que tenho por dia). E essa luz que se me fez no cérebro, enquanto descrevia os acontecimentos, mostra um texto mais ou menos assim:

 

Mente Maria, fizeste dezenas de horas de tradução simultânea TÉCNICA. Mulher, tu grávida de 8 meses com uma barriga digna do Guiness traduziste senhores que nem eles próprios sabiam o que queriam dizer durante tardes infindáveis. És considerada a melhor tradutora simultânea do país nesta área pelos mais influentes, detentora de uma memória prodigiosa e um inenarrável poder de síntese. E, no entanto, foi preciso 36 horas, das quais 8 de sono, e incontáveis litros de água mineral. Foi preciso escreveres estes factos para perceberes que o que a aventesma queria perguntar não era se tu eras “english”. O que o Joker perguntou, alminha de Deus, é se tu falavas “english”!!!

DA CONFIANÇA

“A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante.”

(Juan Vives)

Muitas vezes, confiamos na pessoa errada pensando que é a certa. Mas há pessoas que confiam uma única vez na pessoa errada pensando estar a confiar na pessoa certa. Essas pessoas nunca mais voltam a abrir o seu coração a ninguém. Essas pessoas não dão segundas oportunidades à vida. Nesses casos, perdem as duas partes.  Mas quem se magoa é a pessoa que não se considera merecedora de receber essa confiança. Porque quem não a dá fica apenas com a sensação de que enganou mais uma vez a vida - “Ahhh malucos! Pensavam que eu caía outra vez nessa?” – mal sabendo as coisas boas que perde. Quanto à pessoa que não recebe a confiança, mesmo que não sinta uma dor muito forte, aposto que tem pena. Muita pena…

terça-feira, 3 de agosto de 2010

I DESERVE THE BEST AND HE'S OUT THERE

John McCarthy: You know, Denise, that's why you're not married. Women act like men. Then they complain men don't want them.
Denise Hennessey: Oh, is that why? 'Cause I thought it was something different. I thought that it was 'cause I deserve the best and he's out there. He's just with all the wrong women. And let me be clear. After CENTURIES of men looking at my tits instead of my eyes and pinching my ass instead of shaking my hand, I now have the *DIVINE* right to stare at a man's BACKSIDE with vulgar, cheap appreciation if I want to!”

(Lisa Kudrow in ‘P.S. I love you’)

Eu hei-de conseguir escrever a coisa como deve ser… É só uma questão de alinhamento de ideias…

Dª TEREZA, Dª TEREZA, É FAVOR CHEGAR À RECEPÇÃO... ou POST DIRECCIONADO

Eu sei que gosto de cultura, mas achas mesmo que há comparação?

IMAGENS I

 

WITH ALL THE WRONG WOMEN

Denise Hennessey: Are you single?
Guy with Clipboard: Yes.
Denise Hennessey: Are you gay?
Guy with Clipboard: Yes.
[Denise walks away]
Denise Hennessey: [a few frames later] Are you single?
Ted: Yes.
Denise Hennessey: Are you gay?
Ted: No.
Denise Hennessey: Are you working?
Ted: No.
[she walks away]”

(Lisa Kudrow in ‘P.S. I love you’)

A ‘Denise’ foi o que eu mais gostei neste filme. Foi com a ‘Denise’ que eu me identifiquei quando o vi pela primeira vez. É com a ‘Denise’ que eu me identifico hoje.

E, pode não parecer, mas este post é apenas um teaser para outro sobre o Clube das Divorciadas que há-de sair daqui a mais meio litro de café.

"TO ALL THE SHIPS AT SEA... TO ALL THE PORTS OF CALL..."*

A privação de sono das últimas 72 horas tem servido para fazer com que a minha mente (neste momento, extremamente) perigosa (eu não me dou bem com faltas de sono), me revele certas e determinadas informações que a gaija andava a sonegar, enfiaditas à má fila nas dobrinhas dos neurónios.

Dado o calibre das epifanias, aviso desde já toda a navegação que, hoje, nem que Clive Owen, himself, me ligue para me tirar de casa, eu cederei. Eu sou forte. Eu sou o bambu que dobra mas não quebra durante a tempestade. Eu resisto às tentações estoicamente (de manhã, pelo menos, que se for mais para o fim da tarde, tenho mais dificuldades). Eu hoje vou dormir!

E, basicamente, é isto.

Já cá volto com mais ideias brilhantes…

(*in ‘Message in a Bottle’)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O PROBLEMA DAS MULHERES (ai, Senhor, que ainda me acusam de plágio)

É detestarem ficar entre a espada e a parede mas, em contrapartida, adorarem dar ultimatos a torto e a direito. Porque é que ainda não entenderam que, muitas vezes, a não-acção é o ataque mais eficaz. Mas lá está… Eu gosto de jogar xadrez e carcassonne.

Disclaimer: Qualquer semelhança entre este post, nomeadamente o seu título, e o tipo praticado por outro blogger é mera coincidência e, provavelmente, um acontecimento único devendo ser entendida como elogiosa e não uma cópia descarada. A gerência lamenta qualquer inconveniente que este facto possa causar mas há alturas em que as ideias dos outros são as que melhor expressam as nossas. Obrigada.

COISAS SEM EXPLICAÇÃO

“It’s only your name that is my enemy;
You are yourself, not even a Montague.
What's “Montague?” It is not a hand, or a foot,
Or an arm, or a face, or any other part
Belonging to a man. O, be some other name!
What's in a name? that which we call a rose
Would smell as sweet if it had any other name.
So Romeo, if he wasn’t called “Romeo,” would
Retain that dear perfection which he has
Without that title. Romeo, throw your name away;
And for that name, which isn’t part of you,
Take all of me.”

(William Shakespeare)

Eram quase 3 da manhã e disseram-me um nome. Um nome e um apelido. Eu não conhecia a pessoa. Mas já conheci uma pessoa com aquele nome. Com aquele apelido. A simples menção daquele nome já me arrepiou a pele; já me embrulhou o estômago; já me fez sorrir sem motivo. A simples menção daquele nome já me fez sonhar e desejar.

Eram quase 3 da manhã e disseram-me um nome. A pessoa que acompanhava o nome era de parar a respiração a qualquer mulher com batimento cardíaco. A outra pessoa que conheci com aquele nome era vulgar. A pessoa que acompanhava o nome naquela noite, quase às 3 da manhã, não me fez suster o fôlego, mas o nome… O nome ainda me fez parar o coração.